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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Tubarões no Grande Recife não são monitorados há quase quatro anos

Fotos:


O novo ataque de tubarão registrado na tarde desse domingo (15) na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, traz novamente à tona a falta de investimentos em pesquisa e monitoramento dos animais para evitar que banhistas e surfistas sejam alvos fáceis. Única “arma” para tentar evitar os ataques, a embarcação conhecida como Sinuelo, que capturava e levava os tubarões para o alto-mar, está parada há quatro anos.

O Sinuelo também tinha a função de monitorar os animais, porque os mesmos recebiam chips e tinham a trajetória no oceano rastreada. Se voltassem a se aproximar da costa, eles podiam ser novamente capturados. Durante dez anos, mais de 450 tubarões foram capturados e levados para o alto-mar. O ataque nesse domingo foi o segundo registrado na Região Metropolitana do Recife desde que o Sinuelo teve as atividades paralisadas.

O convênio entre a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Secretaria de Defesa Social (SDS) foi encerrado em dezembro de 2014, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) questionar o alto custo do contrato. Cerca de R$ 800 mil foram gastos naquele ano. Desde então, nenhum tipo de monitoramento é feito, nem há previsão um novo convênio semelhante.

O potiguar Pablo Diego Inácio de Melo, de 34 anos, foi atacado numa das regiões consideradas mais perigosas. Foi lá, inclusive, o primeiro registro oficial de ataque de tubarão, em 1992, quando o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) começou a somar as ocorrências. Até agora são 64 vítimas de ataques, sendo 24 mortes.

INVESTIGAÇÃO: No mês passado, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar a relação entre a implantação do Complexo Portuário de Suape, em Ipojuca, e o aumento no número de ataques de tubarão na Região Metropolitana do Recife. Alguns especialistas defendem que os animais marinhos teriam se deslocado para as praias do Grande Recife por conta do impacto das obras de Suape que provocou um desequilíbrio ambiental nas últimas décadas.

A promotora de Justiça Bianca Azevedo Barroso, responsável pelo inquérito, determinou várias diligências. Uma delas é direcionada à CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) para que responda a alguns questionamentos: se o processo de licenciamento ambiental de Suape, e o respectivo Estudo de Impacto Ambiental abordou, compreendeu e analisou o impacto negativo do empreendimento sobre a fauna marinha, com especial ênfase para o fluxo de tubarões, seu ciclo alimentar e possível ameaça ou aumento do número de ataques de tubarão na área de influência do empreendimento. A promotora também questiona em que medida a construção do Porto de Suape alterou o habitat e fluxos naturais dos tubarões na região, suas correntes marítimas e o risco de provocar acidentes envolvendo tubarões no litoral pernambucano. Não há prazo para conclusão das investigações. (Via: Ronda Jc)

Blog: O Povo com a Notícia